O encontro

11/01/2017

Alguns encontros em nossa vida são especialmente transformadores. Alguém apareceu para nos mostrar que havíamos nos esquecido de alguma parte nossa que ficou na sombra. A emergência da criatividade está atrelada ao encontro com algum aspecto inconsciente do qual nos afastamos.

Eu me apaixono por esse aspecto no outro e quando me separo reencontro essa parte em mim mesmo. Esse é o verdadeiro encontro com o si mesmo. Carl Jung chamou a esse encontro de conjunção dos opostos.

Há no homem uma contraparte inconsciente feminina(anima) e na mulher, uma parte inconsciente masculina( animus). O encontro com a propria anima projetada no outro ou com o proprio animus projetado no outro não é por acaso. Esse outro tem algum atrativo com o qual me identifico : o lado artístico, a sensibilidade, a coragem, a força, etc. Nos construímos essencialmente na relação com o outro e alguns encontros na vida tem a missão de nos fazer encontrar com nós mesmos.

O poder da herança é o sentido de continuidade. Quem não pôde conhecer seus pais ou avós anseia por um link, uma foto,um símbolo,uma história, uma carta, um objeto de resgate dos entes queridos. Deixar um legado é também continuar de alguma forma vivo. Deixo esse tapete, os vinis, a mesinha e com eles me eternizo. Quanto mais nos apegamos menos tocamos a possibilidade do futuro.  Àrvores na Polônia parecem caminhar. Raízes e troncos que podem se  mover ou modificar conforme o vento ou outros fatores. Assim é a herança no seu laço com a identidade. Ambas se constróem.

descobri a vovóO que é o riso? Parafraseando Georges Bataille, diria que o riso é uma atitude de compromisso do homem com o que lhe repugna e atrai ao mesmo tempo. É a possibilidade de confronto com o que nos ameaça  e ao mesmo tempo, denuncia a continuidade possível entre prazer e dor. O riso nos desvia da experiência de repugnância e possibilita a da alegria.

De outro lado, a experiência do medo e do horror, frente à possibilidade do prazer extremo, do êxtase, é acompanhada de excitação erótica e de um repouso da consciência. Portanto, o mergulho extremo na sensação de vida implica o render-se também à possibilidade da morte, da finitude e do silêncio.

Ao contrário da disciplina e método a que se propõe o filósofo ao refletir sobre o ser, o processo de individuar-se, de auto-conhecimento, implica a entrega ao insensato, ao inominável e ao que nos arrebata. Nesse sentido, um ritual de luto extremo da perda de si mesmo, da própria morte, vivido no silêncio pode nos lançar na experiência do divino e em um novo momento criativo.

Dessa forma , a experiência do horror e do humor se aproximam, o que experimentamos na vivência extrema erótica. A experiência do fascínio frente aos excessos movimenta Eros que se arrisca ao próprio perecimento, necessário a vivência da continuidade com o outro e com o cosmos.

Esta experiência anímica da continuidade  não se dá nos limites da consciência mas na possibilidade de transgressão  dos interditos presentes no que reconhecemos como  o próprio ser.

Fonte: Psicologia e Humor retorna: Final do ano

No Século XIX Nietzche declarou que deus estava morto. Outros deuses haviam nascido: a ciência, a tecnologia, a economia. O dinheiro. Ah…o dinheiro. Distâncias se estreitaram com a internet: Um bem e um mal.Ficamos sabendo até do que não gostaríamos de saber e temos a ilusão de estarmos perto uns dos outros.

Agora é a morte do próximo segundo Luigi Zoja. ” No sentido vertical perdemos deus e no horizontal perdemos o próximo.”

Será essa uma das causas da melancolia que acomete o homem contemporâneo? Onde está o próximo ? Salvei minha pele mas onde está o DSCN1572próximo? O famoso ditado de que ” a fila anda” tem a ver com isso. CB

05/12/2015

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