No Século XIX Nietzche declarou que deus estava morto. Outros deuses haviam nascido: a ciência, a tecnologia, a economia. O dinheiro. Ah…o dinheiro. Distâncias se estreitaram com a internet: Um bem e um mal.Ficamos sabendo até do que não gostaríamos de saber e temos a ilusão de estarmos perto uns dos outros.

Agora é a morte do próximo segundo Luigi Zoja. ” No sentido vertical perdemos deus e no horizontal perdemos o próximo.”

Será essa uma das causas da melancolia que acomete o homem contemporâneo? Onde está o próximo ? Salvei minha pele mas onde está o DSCN1572próximo? O famoso ditado de que ” a fila anda” tem a ver com isso. CB

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Caiu-me nas mãos uma hora dessas um parágrafo do livro “De que amanhã “Diálogo de  Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco. Elisabeth Roudinesco é uma psicanalista lacaniana cujas idéias contracenam muito bem com a Psicologia Analítica. Derrida dispensa comentários a respeito de sua obra. Quando refletem sobre o lugar da psicanálise na contemporaneidade, Derrida enfatiza a questão da responsabilidade…” em lugar de um sujeito consciente de si mesmo, respondendo soberanamente por si mesmo perante a lei, pode-se contrapor a idéia de idéia de um sujeito dividido, diferenciado, que não seja reduzido a uma intencionalidade consciente e egológica.” Nessa perspectiva, o sujeito  instala trabalhosamente, em processo, sempre em processo, e imperfeitamente as condições estabilizadas de sua autonomia que se funda em uma heteronomia.

O modelo patriarcal de consciência tenta aplainar as diferenças.  Nesse modelo, acreditamos na autoridade soberana do eu, da consciência e da vontade mas tentamos negar o inconsciente como já nos havia alertado Jung. Derrida mantém seminário intitulado “Questões de responsabilidade”  onde debatem sobre as questões de : testemunho, sigilo, hospitalidade ao estrangeiro, perdão e pena de morte.

Tenta compreender o que querem dizer os têrmos: “responder perante”, ‘responder a”,” responder de “, “responder de si “examinados à luz  do que, segundo o autor, ainda se chama inconsciente.

O cidadão não experimenta ou experimenta de que forma o que  lhe dizemos ser comum?

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

A Psicologia Analítica pode nos ajudar a refletir sobre essas questões  com as noções de inconsciente, consciência coletiva, consciência individual e inconsciente coletivo.

Diz Roudinesco: “A liberdade de falar em seu nome, e portanto de interrogar a essência de sua própria alienação, é indissociável do exercício da associação livre que caracteriza o tratamento freudiano.

Acrescentaria que do ponto de vista da Psicologia Analítica, a consciência se constrói através de uma relação dialética com o inconsciente, sendo este último criativo. Uma nova ética deverá levar esses fatores em consideração.