Em sua obra os arquétipos  e o inconsciente coletivo Jung  afirma que:

“O símbolo é a antecipação de um estado nascente de consciência.Tudo que o homem deveria mas ainda não pode viver em sentido positivo ou negativo, vive como figura e antecipação mitológica ao lado de sua consciência, seja como projeção religiosa ou- o que é mais perigoso- conteúdos do inconsciente que se projetam então em objetos inconscientes , como por exemplo, em doutrinas e práticas higiênicas e outras “que prometem  salvação”. Tudo isto é um substitutivo racionalizado da mitologia que, devido a sua falta de naturalidade, mais prejudica do que promove a pessoa humana”.

O símbolo e a mitologia emergem da relação direta do homem com a natureza e é a nossa forma de interpretação do mundo. Para Jung os símbolos do si mesmo  surgem da profundeza do corpo e expressam sua materialidade, como também a estrutura da consciência discriminadora. O símbolo tem uma dimensão no instinto e uma no espírito. Diz Jung: “O símbolo é o corpo vivo, corpus et anima.  Em seu nível mais baixo a psique é pois simplesmente mundo.” Estamos inseridos  na cultura e no inconsciente coletivo .

A sexualidade portanto, é um símbolo do inconsciente coletivo . Todo arquétipo é um recipiente que não podemos esvaziar ou encher totalmente. Assim são os símbolos e as imagens do inconsciente coletivo

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Diz Jung na data de 13 de março de 1907 na carta 17 J do Livro Freud/ Jung Letters :

“O item mais difícil, sua ampla concepção da sexualidade, já foi a essa altura assimilado, até certo ponto, e posto à prova em diversos casos concretos. De modo geral acho que o senhor está certo. O auto- erotismo como essência da demência precoce se impõe cada vez mais a mim como um aprofundamento importante do nosso conhecimento – onde, de fato, ele irá findar?…

Não seria concebível, tendo em vista a limitada concepção de sexualidade que prevalece em nossos dias, que a terminologia sexual se reservasse apenas às formas mais extremas de sua “libido” e que um termo coletivo menos ofensivo fosse estabelecido para todas as manifestações libidinais? “

A essa carta responde Freud na carta 18 F de 7 de abril de 1907 :

“Mesmo que chamemos o inconsciente de psicóide, ele continuará a ser o inconsciente; mesmo que não chamemos de libido a força impulsiva de concepção mais ampla de sexualidade, ela continuará a ser libido, e em cada inferência que tirarmos dela voltaremos ao ponto exato do qual tentáramos desviar a atenção com nossa nomenclatura… O que nos pedem  é, nem mais nem menos que abjuremos nossa crença no impulso sexual.”

Jung defendia a tese de uma energia neutra para libido e de que “um caso poderia parecer diverso  se o afastamento da libido por parte do sujeito ocorresse num complexo acessível à consciência , ou se, pelo contrário , ocorresse em complexo inconsciente”. A neurose era a dissociação psíquica entre o inconsciente e a consciência. Freud definia a neurose como a repressão do desejo incestuoso e das fantasias a ele ligadas. Para Freud o conflito neurótico infantil geraria a fixação em fases precoces  do desenvolvimento da personalidade. Dessa forma Jung e Freud se desentenderam quanto ao conceito de libido e como consequência, de estrutura da psique.