Homenagem aos pais ( texto extraído parcialmente do livro Lavoura arcaica )

O tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor. Embora inconsumível, o tempo é nosso melhor alimento. Sem medida que o conheça, o tempo é, contudo, nosso bem de maior grandeza. não tem começo, não tem fim. É um pomo exótico que não pode ser repartido, podendo, entretanto, prover igualmente a todo mundo. Onipresente, o tempo está em tudo.

 Rico não é o homem que coleciona e se pesa no amontoado de moedas. E, nem aquele, devasso, que se estende, mãos e braços, em terras largas. Rico é o homem que aprendeu , piedoso e humilde, a conviver com o tempo, aproximando-se dele com ternura, estando atento para o seu fluxo. 

  Meu comentário:

Caminhada feita , o reconhecimento aos pais que apostaram no tempo e  nele investiram. Ter filhos é investir no tempo. É investir em um devir para o qual nos lançamos. Temer ter filhos ou abandonar os filhos é abandonar o investimento nesse não determinado.  Saber “brindar o tempo com sabedoria’ como  foi feita a referência , talvez seja mesmo o patrimônio da paternidade e da maternidade. Contemplar o desenvolvimento de um filho,  acompanhando e respeitando seu processo.   Mas não devemos esperar por um retorno externo ou do resultado final mas nos alimentar do gosto agridoce da trajetória.

E a fala continua: “Queridos pais, mães aqui presentes, obrigada pela ternura, pela paciência, pelos conselhos , pela dedicação.

Saibam que “brindar o tempo com sabedoria”é a maior de todas as lições que recebemos de vocês!

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Em sua obra os arquétipos  e o inconsciente coletivo Jung diz: ‘O símbolo é a antecipação de um estado nascente de consciência. ..tudo que o homem deveria mas ainda não pode viver em sentido positivo ou negativo, vive como figura e antecipação mitológica ao lado de sua consciência, seja como projeção religiosa ou- o que é mais perigoso- conteúdos do inconsciente que se projetam então em objetos inconscientes , como por exemplo, em doutrinas e práticas higiênicas e outras “que prometem  salvação”. Tudo isto é um substitutivo racionalizado da mitologia que, devido a sua falta de naturalidade, mais prejudica do que promove a pessoa humana”.

O simbolo e a mitologia emergem da relação direta do homem com a natureza e é a nossa forma de interpretação do mundo. Para Jung os simbolos do si mesmo  surgem da profundeza do corpo e expressam sua materialidade, como também a estrutura da consciência discriminadora. O simbolo tem uma dimensão no instinto e uma no espírito.  “O simbolo é o corpo vivo, corpus et anima”.  Em seu nível mais baixo a psique é pois simplesmente mundo. Nos inserimos na cultura e no inconsciente coletivo .

A sexualidade portanto é um simbolo do inconsciente coletivo e  universal. Todo arquétipo é um recipiente que não podemos esvaziar ou encher totalmente. Assim são os simbolos e as imagens do inconsciente coletivo.

As manifestações  de  simbolos relativos à sexualidade devem ser analisadas à luz da consciência , levando em consideração os valores éticos de um grupo ou sociedade. As crianças são educadas por aquilo que o adulto é e não por suas palavras, já dizia Jung.

A invasão do universo infantil por conteúdos do mundo adulto, como perversões sexuais, seria como colher a fruta ainda verde , antes mesmo que pudesse amadurecer. Essa vulnerabilidade da criança, nos casos de pedofilia deve ser cuidada pelos cidadãos preocupados em discutir o assunto e com poder na sociedade para isso.

Reprimir não é a solução. Mas devemos levar sempre em consideração que violência é o abuso de poder de um mais forte sobre um mais fraco.

A questão não é encontrar instrumentos de punir e cercear mas procurar entender os significados das manifestações que envolvem a sexualidade na contemporaneidade . A internet é só um veículo a ser administrado.

Pênis na filosofia

13/02/2010

Carl Gustav Jung , psiquiatra suiço, vai buscar na mitologia a compreensão para a importância do símbolo do fallus.

Jung teve um sonho que marcou sua trajetória como analista, o sonho com o falo ritual , o deus ictifálico.

A busca da compreensão do significado do falo ritual , presente também nas imagens do vídeo do filósofo ,  levou Jung a uma amplificação no tratamento do tema da sexualidade.

Para além das questões do complexo de édipo , a sexualidade se insere nas questões do poder, cujo simbolo ancestral é o pênis.

O falo ritual. O deus ictfálico, um falo que tem um olho localizado no espaço que  seria o da cabeça do pênis. Esse deus que tudo vê e tudo pode. A onipotência representada no falo ritual.

Há milênios o homem se vê em confronto com as questões da sexualidade e com as questões do poder.

Wilhem Reich atribuiu a neurose à repressão da sexualidade em sua obra  Análise do Caráter. Jung ampliou o tema da neurose e definiu neurose como dissociação psíquica em seu livro Energia Psíquica. Porém, de qualquer maneira, até os dias atuais nos vemos em luta na compreensão  do tema  que Freud também lançou em seu artigo Três ensaios sobre a sexualidade e ampliou em Totem e Tabu.

Rejeitamos e tentamos banir as imagens do inconsciente e reprimimos nossos instintos. Essas atitudes são fatores de conflitos e neurose.

Seja qual for a abordagem em psicanálise,  Jung, Freud e Reich apontaram para a importância da relação entre psique e soma. Os autores divergem em seus pressupostos : modelo de psique, conceito de inconsciente, conceito de energia psíquica.

Porém , cada vez mais , devemos refletir sobre a importância da educação voltada para uma sexualidade sadia na contemporaneidade. Estaremos assim contribuindo com a saúde mental e a liberdade politica e social.

A internet tem um papel e uma responsabilidade social nessa tarefa. É isso que estamos fazendo aqui.

 Mangueira 

 Verde e rosa

Verde das folhas

Da manga rosa,

Disse o poeta

“o gosto e o sumo ”

O sumo da Mangueira

 é o samba.

  O amor é tudo gente. Sem perder a esperança. Meu deu vontade de fazer esse post de comemoração do Carnaval brasileiro e do dia dos namorados europeu e norteamericano.

Costumo me aborrecer com a visão frequente do carioca como preguiçoso, vaidoso, inconsequente. É mais um esteriótipo de paulista a respeito de carioca.  Assim como carioca descrever paulista como careta, workaholic, e outros esteriótipos.

 Postei no Blog do jornalista André Forastieri algumas idéias que reproduzo aqui com alguns adendos. 

“É uma pena que a visão aqui presente do carioca seja a pasteurizada pela midia. A que se refere a uma classe média alta ou a um grupo “vip”do Rio de Janeiro que hoje está presente nas novelas da Globo.

Essa identificação do carioca com a Garota de Ipanema e com o malandro zona sul é muito redutiva e desmerece a importância da História do Rio de janeiro na História da sociedade brasileira. O Rio sediou nosso governo por muitos anos, é a casa do samba, é o berço da bossa-nova, queiramos ou não é onde a poderosa Globo se instalou e de onde consegue grande parte de seus talentos e musas.

 O cidadão pobre carioca sofre muito. Assim como qualquer outro no Brasil. O trem da Central do Brasil conta essa história presente no filme de mesmo nome.

Hoje é sede do tráfico  porque o turismo no Rio e a pobreza se conjugaram para que a exploração do sexo e das drogas tivesse lá espaço fértil .

Eu nasci no Rio e moro em São Paulo desde os 10 anos de idade.

Gosto das duas cidades. Ambas tem suas feridas. Se o carioca sofre de informalidade e às vezes falta-lhe um pouco de disciplina, o paulista exagera a formalidade e falta-lhe às vezes compaixão.

 O bom mesmo seria uma praia no final da Avenida Paulista e um pouco mais de “Chão” e estrutura de vida para o Rio de Janeiro. Amigos ?”