Futebol é antes de tudo um rito através do qual mergulhamos em nossa identidade cultural. Todo rito tem uma dimensão simbólica e expressa conteúdos do inconsciente coletivo. Através da repetição o rito faz a ponte entre a consciência e o potencial do inconsciente. O rito apartado do dogma, do mistério, torna-se estéril em sua função de ampliação da consciência. O mais importante do rito é abrir caminho para a criatividade e não a “posse da bola”.

 Fútbol es antes de todo un rito a través del cual nos sumergimos en nuestra identidad cultural. Todo rito tiene una dimensión simbólica y expresa contenidos del inconsciente colectivo. A través de la repetición el rito hace el  puente entre la consciencia y el potencial del inconsciente. El rito apartado del dogma, del misterio, se hace estéril en su función de ampliación de la consciencia. Lo más importante del rito  no es estar en” posesión del balón “, sino abrir camino para la creatividad.

Saramago

19/06/2010

Há pessoas dotadas de uma especial capacidade de traduzir os sentimentos e dores humanos. Essa pessoa foi Saramago. Em Ensaio sobre a Cegueira teve uma “visão” dos conflitos do século XXI. Quando vi o terremoto no Chile as imagens eram as mesmas. Pessoas saqueando os supermercados em busca de comida e segurança. Jung nos alertou sobre a tragédia humana quando o ego se aparta do self. Saramago trouxe as cenas desse conflito ego / self. Meus sentimentos  são profundos pela morte desse escritor imortal. Um dos grandes ensinamentos do autor é a humildade frente à nossa cegueira e  ignorância  relativas  ao mistério da vida . Só alcançamos o  auto-conhecimento dentro dos limites de nosso mito pessoal ou,seja, de nossa equação simbólica. Porém, precisamos acreditar no que vemos também senão advirá uma outra cegueira, a dos que negam a própria visão e percepção. Toda percepção é um ensaio, uma tentativa de aproximação com o mundo. Saramago quando teve suas idéias censuradas foi para sua Ilha ou para seu self. Ao termos nossas percepções negadas  sentimos nossa identidade ameaçada. Esse momento é um convite para uma atitude de auto-reflexão na nossa ilha.

Quando uma convivência conjugal termina as borboletas do frisson sentido no estômago do tempo da paixão dão lugar aos sentimentos ambivalentes de alívio de tensão e de luto. A neurociência propõe que o cérebro tende a buscar a situação de equilibrio anterior através da inslação das antigas sensações.

Mas hoje o que temos é um imediatismo na busca de satisfação. Dessa espiral de busca sem limites, expressa também na ânsia de consumo, vemos um movimento ascendente em direção ao mundo e descendente em direção ao sujeito.

Jung descreve o processo de individuação como um movimento em espiral, de progressões e regressões.  Progredir e regredir aqui tem um sentido de compensação energética entre uma vivência e outra. Precisamos de um tempo para evoluir de um estado de consciência para outro. Restabelecer o equilibrio é  apontar para algo novo. Não é voltar ao estado anterior da alma. Porém, regredir é também caminho para progredir. O grande desafio é reencontrar, em outro formato, a experiência de satisfação e a criatividade que diante do luto se arrefeceram.

Trazer de volta as borboletas do desejo , da alegria e da esperança exige um intenso trabalho psíquico.  Não é suficiente encontrar um outro parceiro amoroso.  O caminho do pleno gozo é o caminho de encontro consigo mesmo quando os humores da libido trazem de volta as borboletas.

“Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo…

Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem voltar…

Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…

Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…Isto é um princípio da natureza. Solidão não é o vazio de gente do nosso lado… Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto. Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma”. ( autor não identificado – foi publicado na net como de Chico Buarque mas a curadoria de Chico – ‘Wagner Homem” diz que o texto não pertence ao compositor).

Para Jung estar em contato com a própria alma é estar saudável. Quando nos dissociamos de nossos sentimentos mais ocultos  caímos na neurose. Estar sòzinho é uma circunstância  necessária para encontrarmos o sentido de nossas vivências e nos conectarmos com nosso potencial simbólico.  O mergulho no inconsciente é necessário para o desapego dos “vícios ” da consciência e da crença de  que não podemos sobreviver sem nossos objetos de amor e  de apego. A companheira de toda existência do sujeito é sua alma. Se dela nos dissociamos a solidão experimentada é profunda. Nos projetamos em nossos objetos de apego e mergulhamos na melancolia da ausência dos entes queridos. O melancólico perdeu sua alma. Melancolia não é tristeza é a impossibilidade de se separar do outro como referência da própria identidade”. ( autora : Celia Brandão )

http://www.youtube.com/watch?v=cg2Pev4TXJs

O programa Pânico na TV essa semana fez entrevistas muito bem humoradas com mulheres perguntando que frase escrita em uma camiseta, escolheriam para enviar ao ex- namorado. Incrível a receptividade das entrevistadas que demonstraram alívio e bom-humor ao lerem as frases escritas nas camisetas trazidas pelos entrevistadores. Já não me lembro das frases mas vão aqui algumas do meu brain-storming:

Ainda bem que eu me livrei dessa!

Antes longe de alguém que se foi porque assim o desejou do que estar ao lado de alguém que deseja ir embora !

Saudades de alguém que não está mais aqui é  o cúmulo do masoquismo!

O nosso amor já era mas será que algum dia foi ?

As borboletas do meu estômago não voam mais por você!

E assim por diante. Faça as suas frases e envie para o Blog !

Feliz Dia dos Namorados !