“I understood that the new god would be in the relative. If the God is absolute beauty and goodness, how should he encompass the fullness of life, witch is beautiful and hateful, good and evil, laughable and serious, human and inhuman? How can man live in the womb of the god if the god head himself attends only to one half of him?”

Jung usa a parábola do grão de mostarda( Lucas 13) para refletir sobre o seu Deus interior. Diz a parábola: “A que é semelhante o Reino de Deus e a que hei de compará-lo ? É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou em sua horta; ele cresce, torna-se árvore, e as aves do Céu se abrigam em seus ramos.

“Na segunda noite eu falei com minha alma … o novo mundo emerge  fraco e artificial para mim. Artificial é uma má palavra mas a semente de mostarda  que cresceu e tornou-se árvore, o mundo que foi concebido no útero de uma virgem, tornou-se um Deus a que  o universo está submetido.”

A integração do mal na natureza divina teve um papel crucial na obra de Jung e na sua concepção de self. O self é uma unidade diferenciada da sequência dialética que, segundo Hegel, dá origem ao Cosmos. Assim também se dá o processo de individuação e a construção do self individual, ou seja , através de um processo dialético de transformação e  integração das polaridades anímicas.

A partir da sua vivência da ambiguidade e das contradições internas Jung  compreende que seu antigo Deus, o Deus que procurava no absoluto, na absoluta beleza e bondade não poderia abranger a totalidade da vida que é bela e odiável,  bem e mal, riso e seriedade, humana e desumana. E se pergunta: “Como pode o homem viver no útero de Deus se a cabeça de Deus atende à somente  metade dele?” Compreende, então, que seu novo Deus está no relativo e não no absoluto e que o ser humano tem medo das profundezas, de si mesmo.   O autor  se pergunta sobre como atingiremos as alturas se não mergulharmos  nas profundezas . E conclui que se desejamos superar a morte devemos avivá-la dentro de nós. Jung nos traz a imagem do vinto tinto como a bebida da vida e sugere que ofereçamos do vinho para a matéria morta e assim ela ganhará vida de volta. A matéria morta se transformará em serpentes negras, símbolos da vida e com  sua energia trarão de volta nossa vontade e a luz do sol que iluminará nossos dias. A idéia contida no texto é do entrelaçamento entre vida e morte, entre o escuro e o claro, o dia e a noite, a consciência e o inconsciente, Deus e a serpente.

Therefore on your journey be sure to take golden cups full of the sweet drink of life , red wine, and give it to dead matter, so that it can win life back. The dead matter will change into black serpents. Do not be frightened , the serpents will immediately put out the sun of your days, and a night with wonderful will-o”-the wisps will come over you.” ( C. Jung)

Jung se pergunta sobre o  que é o inferno? E responde que o inferno é quando o mergulho interior traz a você tudo aquilo que você não é mais ou  a consciência daquilo para o que você ainda não é capaz. É quando o ser humano não pode mais alcançar o que pode anteriormente alcançar e  é  responsável por isso. O inferno do homem é ele mesmo. A compreeensão de que bem e mal estão entrelaçados, assim como paraíso e inferno refletem a ambiguidade da imagem de Deus. O Deus Cristão é amor e Jung se pergunta da ambiguidade do amor que comporta contradições. Acrescenta que o Deus só emergirá na alma quando o herói pessoal for assassinado. Na dinâmica heróica de personalidade identificamos nossa alma com o divino e absoluto, como se fossemos Deus. O herói tenta imitar a perfeição.  Deus é uma maneira de viver.

O caminho do encontro com o si mesmo comporta ambiguidades e contradições como a de que  o caminho do desejo egoísta pode também ativar a consciência das limitações.  Voltar-se para si mesmo, na solidão interior,  aproxima o homem do “deus dos outros”, o vizinho do self no outro. Insistir  na trajetória heróica de negação das próprias limitações  destituirá mais cedo ou mais tarde nossos deuses.

 

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