De quem é a cidade? Eis a questão. A metrópole em sua exuberância atrai e assusta. É uma grande mãe nutridora, nos seus recursos e caminhos por onde nos buscamos: ruas, avenidas, alamedas.

A cidade não dorme. Vigia com seus olhos de grande mãe as nossas madrugadas. De quem são as madrugadas? Quem tem casa, herança e aconchego desaparece da rua na madrugada. Perambulam pelas ruas aqueles que estão em busca de um lugar. A cidade à noite é dos moradores de rua, do tráfico, do andarilho que se aconchega nos becos úmidos e sem luz. Seus pertences caminham junto a ele que os carrega para onde vai. Não tem território. Sua identidade está atrelada ao que com ele caminha.

 Quem anda pela cidade à noite , experimenta possuí-la e confrontando seus mistérios e ameaças sai vitorioso, sobrevivente mais uma vez ao seu poder devorador. Onde pisou fez território, arquetipicamente ancorado, fez identidade.

 Dar um rolê pela cidade é se entregar ao imponderável, à possibilidade de ser surpreendido, sem perder o equilíbrio das pernas. É buscar espaço de identidade em um mundo povoado pela incerteza.  O skate é extensão de um corpo, das pernas que firmam posse de território , direito à liberdade e à identidade.

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O menino e sua lata de tinta

Quanta magia

Quanto sagrado

 nas mãos

na lata de tinta

do menino.                 

trabalho artista Mauro do Imargem

www.imagemdamargem.blogspot.com

Em el año de2006, cordiné en el Moitará – encuentro anual de  la Sociedade  Brasileira de Psicologia Analítica sobre símbolos de la cultura brasileña – um taller psicologico com el tema Cantando o luto amoroso. Para ello conte com la colaboracion de Marília Castelo Branco, psicóloga y arteterapeuta, y Nicolas Brandão Moreira da Silva, musico. 

No ano de 2006, coordenei no Moitará – encontro anual da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica sobre símbolos da cultura brasileira -, uma oficina psicológica com o tema: Trocando em miúdos – cantando o luto amoroso. Contei na oficina com a colaboração de Marilia Castelo Branco, psicóloga e arte- terapeuta e de Nícolas Brandão Moreira da Silva, músico.

El taller constituyó em un espacio ritual de elaboración del luto amoroso a través del repertorio seleccionado de la musica popular brasileña. Participaron del taller analistas junguianos de todas las edades.

 A oficina consistiu em um espaço ritual de elaboração do luto amoroso por meio de repertório selecionado da música popular brasileira. Participaram da oficina analistas junguianos de todas as idades.

Fue  notable la riqueza y creatividad del repertorio musical seleccionado por los participantes  y pudimos observar un alto nivel de identificación también de la población joven con el estilo romántico de la comunicacción amorosa.

 Foi notável a riqueza e criatividade do repertório musical selecionado pelos participantes e pudemos observar um alto nível de identificação também da população jovem com o estilo romântico de comunicação amorosa.

Aunque los participantes no relataron sus vivencias de luto, el grupo pudo comunicar-se por medio de letras de canciones expresivas de nuestro cancionero popular y que tratan de la pérdida amorosa. Recorrimos varios estilos de la MPB, donde los participantes sugirieron algunas canciones mientras cantaban trabajavan también en sus lutos. El refrán dice: quien canta sus males espanta o aún quién canta ora dos veces. 

Sem que houvesse um relato das vivências de luto dos presentes, o grupo pode se comunicar por meio de letras de músicas expressivas de nosso cancioneiro popular e que tratam da perda amorosa. Percorremos vários estilos da MPB, sendo que algumas canções foram sugeridas pelos participantes do grupo que, enquanto cantavam, mergulhavam também em seus lutos. O ditado popular nos diz: Quem canta seus males espanta ou ainda Quem canta reza duas vezes.

Fue posible tocar la emoción y darle su tiempo y espacio con  el recurso facilitador de la música. Técnicas psicodramáticas fueron facilitadoras para la realización del ritual. Dramatizamos el ritual de la despedida con globos abandonados al sabor del viento. 

 Foi possível tocar a emoção e dar-lhe seu tempo e com o recurso facilitador da música.Técnicas psicodramáticas foram facilitadoras para a realização do ritual. Encenamos o ritual da despedida, com bexigas abandonadas ao vento.

Los participantes tuvieron su tiempo para escribir y dibujar en los globos, nombrándolos con lo que desearían o necesitarían dejar irse de sus vidas.  Se hizo el cortejo entonando la canción de la MPB de los años 30 “Na virada da Montanha”de Lamartine Babo y Ari Barroso.

Os participantes tiveram seu tempo para escrever e desenhar nas bexigas, nomeando-as com o que desejariam ou necessitariam deixar ir embora de suas vidas. O cortejo foi feito entoando a canção da MPB dos anos 30 “Na virada da montanha” de Lamartine Babo e Ari Barroso.

 

 

  Na virada da Montanha

                       Lamartine Babo e Ari Barroso

 

“A saudade vem chegando      “La nostalgia se acerca

A tristeza me acompanha!      La tristeza me acompaña

Só porque…só porque…         Solo porque… solo porque

O meu amor morreu               Mi amor murió     

 na virada da montanha         A la vuelta de la montaña

O meu amor morreu              Mi amor murió

na virada da montanha”……. A la vuelta de la montaña….”

 Al contemplar  los globos al viento un participante del grupo dice: “Parece un funeral .“ Con ese habla podríamos concluir que el taller había cumplido sus objetivos.

Ao contemplar as bexigas ao vento um participante do grupo diz: “Está parecendo um funeral”. Com essa fala podiamos concluir que a oficina cumprira seus objetivos.

Carl Gustav Jung

Consultório Celia Brandão

Consultório de análise e mediação- Celia Brandão.

Papel da mediação de conflitos : projeto de lei sobre Mediação (Projeto de Lei da Câmara nº 94, de 2002),  prevê:

Art. 2º Para fins desta Lei, mediação é a atividade técnica exercida por terceiro imparcial que, escolhido ou aceito pelas partes interessadas, as escuta, orienta e estimula, sem apresentar soluções, com o propósito de lhes permitir a prevenção ou solução de conflitos de modo consensual.

Art. 24. Considera-se conduta inadequada do mediador ou do co-mediador a sugestão ou recomendação acerca do mérito ou quanto aos termos da resolução do conflito, assessoramento, inclusive legal, ou aconselhamento, bem como qualquer forma explícita ou implícita de coerção para a obtenção de acordo .

É um método de facilitação de diálogo.

Mediar é transformar a cultura do conflito no exercício do diálogo. A solução está na abordagem não adversarial do conflito através do respeito às diferenças.

Um mediador pode ser confundido com um juiz, com alguém que tem o poder de arbitrar sobre alternativas para a solução de um conflito. Porém, cabe ao mediador não a arbitragem mas o papel de tornar diálogos difíceis em uma comunicação aberta e franca entre as partes em litígio. 

Ao nos depararmos com opiniões e interesses divergentes em relação aos nossos, nos sentimos ameaçados. O lado conservador da psique teme a dissociação. Para fugir à dissociação um recurso comum utilizado é a negação da legitimidade da opinião diversa ou até mesmo da identidade do outro.

Em um conflito de interesses é necessário ponderar necessidades e possibilidades.

Em um processo de separação conjugal , por exemplo, cabe ao mediador, promover o diálogo que avalie as condições , as possibilidades de cada um dos cônjuges no que se refere à pensão alimentícia, guarda de filhos, patrimônio. O debate deve ponderar sobre direitos e responsabilidades.

Na linguagem de Derrida, devemos discriminar que e quem deve “responder por”e “responder a”. Com a aprovação da lei da guarda compartilhada ambos os pais poderão assumir diretamente a responsabilidade sobre a educação e cuidar do cotidiano dos filhos. Guarda compartilhada não é alternância de residência mas sim cooperação legítima entre os pais na criação dos filhos pela qual responderão ambos perante a justiça. 

Hoje, para  uma situação de divórcio não há mais respaldo jurídico para o atributo a uma das partes de culpabilidade pela separação. Ambos os conjuges são responsáveis por sua decisão.  Cabe ao processo de mediação procurar  defender os interesses dos membros da familia resguardando a integridade dos mesmos longe das disputas de poder.

A mediação familiar em familias vítimas de violência, trabalho que realizei na Ong Pró-mulher, Familia e Cidadania, onde ocupei cargo de coordenação técnica, e na Ong Ceaf ( Centro de Estudos e Assistência à Familia), revelou-se como método eficaz para resgatar a auto-estima da vítima e desencadear processo de reintegração social do agressor.  

Em casos de abuso contra a criança, o mediador tem um papel central no estabelecimento de um ambiente seguro onde a vítima de abuso possa recuperar o direito à escuta e à memória dos fatos traumáticos. A ferida de abuso traz como  seus componentes o sentimento de ameaça, o sentimento de culpa e a repressão da memória da situação de abuso. Dar voz àquele que se calou sob o pacto do silêncio é tarefa do mediador.

Quando os lugares dentro da familia ou do grupo estão ameaçados e os poderes até então vigentes estão falidos temos um contexto favorável à violência.

Legitimar o conflito mas não cultuá-lo e promover o diálogo é combater a violência. Essa é a tarefa do mediador.

[videolog 416621]

Caiu-me nas mãos uma hora dessas um parágrafo do livro “De que amanhã “Diálogo de  Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco. Elisabeth Roudinesco é uma psicanalista lacaniana cujas idéias contracenam muito bem com a Psicologia Analítica. Derrida dispensa comentários a respeito de sua obra. Quando refletem sobre o lugar da psicanálise na contemporaneidade, Derrida enfatiza a questão da responsabilidade…” em lugar de um sujeito consciente de si mesmo, respondendo soberanamente por si mesmo perante a lei, pode-se contrapor a idéia de idéia de um sujeito dividido, diferenciado, que não seja reduzido a uma intencionalidade consciente e egológica.” Nessa perspectiva, o sujeito  instala trabalhosamente, em processo, sempre em processo, e imperfeitamente as condições estabilizadas de sua autonomia que se funda em uma heteronomia.

O modelo patriarcal de consciência tenta aplainar as diferenças.  Nesse modelo, acreditamos na autoridade soberana do eu, da consciência e da vontade mas tentamos negar o inconsciente como já nos havia alertado Jung. Derrida mantém seminário intitulado “Questões de responsabilidade”  onde debatem sobre as questões de : testemunho, sigilo, hospitalidade ao estrangeiro, perdão e pena de morte.

Tenta compreender o que querem dizer os têrmos: “responder perante”, ‘responder a”,” responder de “, “responder de si “examinados à luz  do que, segundo o autor, ainda se chama inconsciente.

O cidadão não experimenta ou experimenta de que forma o que  lhe dizemos ser comum?

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

A Psicologia Analítica pode nos ajudar a refletir sobre essas questões  com as noções de inconsciente, consciência coletiva, consciência individual e inconsciente coletivo.

Diz Roudinesco: “A liberdade de falar em seu nome, e portanto de interrogar a essência de sua própria alienação, é indissociável do exercício da associação livre que caracteriza o tratamento freudiano.

Acrescentaria que do ponto de vista da Psicologia Analítica, a consciência se constrói através de uma relação dialética com o inconsciente, sendo este último criativo. Uma nova ética deverá levar esses fatores em consideração.