No Século XIX Nietzche declarou que deus estava morto. Outros deuses haviam nascido: a ciência, a tecnologia, a economia. O dinheiro. Ah…o dinheiro. Distâncias se estreitaram com a internet: Um bem e um mal.Ficamos sabendo até do que não gostaríamos de saber e temos a ilusão de estarmos perto uns dos outros.

Agora é a morte do próximo segundo Luigi Zoja. ” No sentido vertical perdemos deus e no horizontal perdemos o próximo.”

Será essa uma das causas da melancolia que acomete o homem contemporâneo? Onde está o próximo ? Salvei minha pele mas onde está o DSCN1572próximo? O famoso ditado de que ” a fila anda” tem a ver com isso. CB

Anúncios

Psicologia e Humor

26/06/2015

Psicologia e Humor 37: O que ocorre quando você viaja com excesso de bagagem? Ou paga multa ou tem que deixar uma parte fora da viagem. Os seres humanos possuem talentos que são aprimorados e junto com sua experiência de vida constituem “sua bagagem”. Construir uma bagagem demora anos de vida. Mas o mais difícil é acomodar devidamente e em proporções adequadas essa bagagem nos relacionamentos e diferentes situações e momentos.
Não existe situação mais desagradável do que conversar com uma pessoa que joga sua bagagem, no banco do passageiro entre você e ela, espremendo você contra a porta, mesmo quando nesse momento é você o motorista. O mais difícil não é ter bagagem , é saber adequá-la às situações. Em um dia ser simbólicamente, motorista e, em outro, aceitar ser conduzido, ser passageiro nos relacionamentos. Celia Brandão

Caiu-me nas mãos uma hora dessas um parágrafo do livro “De que amanhã “Diálogo de  Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco. Elisabeth Roudinesco é uma psicanalista lacaniana cujas idéias contracenam muito bem com a Psicologia Analítica. Derrida dispensa comentários a respeito de sua obra. Quando refletem sobre o lugar da psicanálise na contemporaneidade, Derrida enfatiza a questão da responsabilidade…” em lugar de um sujeito consciente de si mesmo, respondendo soberanamente por si mesmo perante a lei, pode-se contrapor a idéia de idéia de um sujeito dividido, diferenciado, que não seja reduzido a uma intencionalidade consciente e egológica.” Nessa perspectiva, o sujeito  instala trabalhosamente, em processo, sempre em processo, e imperfeitamente as condições estabilizadas de sua autonomia que se funda em uma heteronomia.

O modelo patriarcal de consciência tenta aplainar as diferenças.  Nesse modelo, acreditamos na autoridade soberana do eu, da consciência e da vontade mas tentamos negar o inconsciente como já nos havia alertado Jung. Derrida mantém seminário intitulado “Questões de responsabilidade”  onde debatem sobre as questões de : testemunho, sigilo, hospitalidade ao estrangeiro, perdão e pena de morte.

Tenta compreender o que querem dizer os têrmos: “responder perante”, ‘responder a”,” responder de “, “responder de si “examinados à luz  do que, segundo o autor, ainda se chama inconsciente.

O cidadão não experimenta ou experimenta de que forma o que  lhe dizemos ser comum?

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

A Psicologia Analítica pode nos ajudar a refletir sobre essas questões  com as noções de inconsciente, consciência coletiva, consciência individual e inconsciente coletivo.

Diz Roudinesco: “A liberdade de falar em seu nome, e portanto de interrogar a essência de sua própria alienação, é indissociável do exercício da associação livre que caracteriza o tratamento freudiano.

Acrescentaria que do ponto de vista da Psicologia Analítica, a consciência se constrói através de uma relação dialética com o inconsciente, sendo este último criativo. Uma nova ética deverá levar esses fatores em consideração.

O jegue

20/09/2009

jegue 2

 

Um porteiro de prédio em São Paulo perguntou ao outro se sabia quem puxava carroça lá em Sergipe. O outro disse… cavalo?..

Eu ía passando, me intrometi na conversa e disse: jegue. O outro imediatamente retrucou : Isso. Jegue! E continuou falando: Mas aqui em São Paulo, é gente que puxa carroça.

  Eu disse em seguida: Você quer dizer que aqui gente e jegue é às vezes a mesma coisa?

 Ele respondeu pensativo: É… A conversa continuou entre os dois.

 Sai pensando …. Pior que isso. Jegue é uma “celebridade” no nordeste, tem direitos, cuidados, tempo de serviço, funeral com homenagem, divide comida com o patrão, carinho, amor,  e sua casa não é a carroça que puxa. Pertence a algum lugar, sentem sua falta quando se afasta de casa, tem sua identidade reconhecida.