Livro publicação GV / Saraiva.

Um capitulo desse livro é meu: Sucessão Familiar: Identidade e poder nas relações homem e mulher. Interfaces com a psicologia da familia empresária.

Pais e filhos

01/04/2013

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O difícil é nos desapegarmos das projeções recíprocas entre pais e filhos para empreendermos nossas escolhas. Os filhos devem desidealizar os pais, assim como os pais devem desidealizar os filhos na direção da autonomia de ambos. Não acredita que seja possível? Depois de muito caminho andado entendo que o processo de individuação abrange vários momentos que envolvem impasses entre escolher, eleger um caminho ou outro. Caminhamos entre momentos de fusão com nossas idealizações e de desapego que envolvem processos difíceis de desidealização. Freud falou da desidealização dos filhos em relação aos pais através da elaboração do complexo de castração que nada mais é que uma espécie de sacrifício do ideal do ego que funda a construção da lei. Mas Jung amplia a noção de complexo e podemos entender que as projeções são recíprocas. Não há filho que cresça ainda preso às idealizações de seus pais. No plano da cultura temos também as idealizações presentes na consciência coletiva que atuam muitas vezes de forma perversa nos processos de escolha, inclusive profissional como aponta também Bourdieu. Os pais crescem junto a seus filhos através também da elaboração das idealizações do seu papel na vida dos filhos que vai se transformando durante toda a vida. Filhos criados trabalho dobrado? Assim diz o ditado. Seria mais fácil nos relacionarmos com o filho como extensão de nós mesmos? O bebê come o que lhe oferecemos. Não sabe escolher e portanto não tem autonomia. O seu critério de escolha é apenas o seu prazer. Por ele comeria 500 gramas do doce mais gostoso se conseguisse. Mas o seu critério de limite ainda é frágil. Cuidamos de nossos filhos pequenos dentro dos nossos critérios de adequação. 

Um dia esses mesmos filhos cresceram  e suas escolhas nem sempre correspondem às nossas projeções. De outro lado, idealizam também nossa aprovação segundo seus critérios e parâmetros contidos nas imagens do pai e da mãe.

Papai e mamãe gostariam que estudasse isso ou aquilo , se casasse com fulano(a) de tal, tivesse primeiro um filho (a)  e outras tantas idealizações dos ideais dos pais. Essa extrema idealização deve ser interrompida para que os sujeitos emerjam em suas identidades e autonomia. Quanto mais intensas as projeções recíprocas das idealizações mais dificil será a  convivência entre pais e filhos a partir da adolescência.  Agora ele escolhe e pode ser que você não seja seu principal modelo de identificação. Esse é um luto vivido pelos pais. Mas também pelos filhos que devem se desapegar da segurança do sentimento de fusão com seu objeto de afeto  e experimentar a ambivalência da tarefa de escolher.

Filhos criados, trabalho emocional dobrado, complementando o ditado!

   

 

 

 

É importante se tratar do problema da adição considerando seus fatores psicodinâmicos, ou seja, relativos à história de vida do sujeito em sua inserção em um determinado contexto social. O sujeito que se perdeu de si mesmo, que deixou de se sentir merecedor de afeto, que se desapegou de si mesmo, procura em algo externo ao self na forma de apego um suporte para seguir vivendo. São várias as adições. O uso abusivo de substâncias é só uma delas. A adição a uma imagem idealizada de si mesmo é muito perigosa também. A adição ao consumo de produtos para fingir ser uma pessoa que não se é seria uma outra. O apego a uma muleta para evadir-se da dor é a adição. A dor do próprio vazio interno, de uma falta de contato consigo mesmo. Então temos o apego sadio e o apego patológico. A mesma palavra: apego, designando experiências positivas e negativas.

O Massacre em Newtown, cidade da costa leste dos EUA com 27 mil habitantes é um dos piores em escolas americanas, diz o Jornal Folha de SP em 15/12/2012.

Leio perplexa as notícias e não contenho as lágrimas. E me pergunto porque um rapaz de 20 anos invadiu a escola onde sua mãe era professora, atingiu fatalmente sua mãe e seus alunos e continuou atirando em quem encontrasse pelo caminho, tendo fi…nalmente suicidado. É mais um jovem que sem encontrar soluções delira ter a solução ou ser a solução para sua desesperança. Não importa mais saber a biografia do agressor. O fato se repete. Adianta controlar o porte de armas? Em parte. O mais desesperador é não entender.É nos depararmos com o inominável. Eu queria poder abraçar cada um daqueles pais enlutados. Rezar é muito pouco. Por a boca no mundo e dizer que algo deve estar errado creio que seria de melhor ajuda.Porque esse infanticídio? Falta de esperança no futuro. Estamos matando as futuras gerações. Que legado receberam os que hoje se sentem sem esperança? A professora tranca seu aluno no armário para salvá-lo. Como podemos preservar as nossas jóias antes que seja tarde? Será que nos dispersamos do essencial, de cuidar da nossa alma e corremos atrás do sucesso, do poder, da eficácia deixando para trás o que está fragilizado, carente, com mêdo, magoado? Compartilho a dor desses pais e antes de rezar apelo para que nos voltemos mais para aquilo que embora simples, aparentemente banal, possa ser nossa salvação .
The massacre in an elementary school in Newtown, Connecticut on the East Coast of the USA with a population of 27 thousand was one of the worst in American History according to the newspaper “Folha de Sao Paulo” on December 15, 2012.

I read the news, perplexed and cannot contain my tears. I ask myself why a 20 year old invaded a school where his mother was a teacher, shot and killed his mother and her students and continued shooting at whomever crossed his path, finally shooting himself. One more lost youth with no answers finding the answer in his delirium and desperation. The biography of the protagonist doesn’t matter anymore. The event repeat themselves (Newton, Columbine, Oslo, …). Does gun control make a difference? Partly. The worst is not understanding why and facing the unspeakable. I want to be able to hug each one of the mourning parents. Praying is not enough. I want to shout to the world saying that something is wrong, I believe is of more help. Why? Why this senseless killing of our youth. Lack of hope for the future? We are killing our future generations. What has happened to cause such hopelessness? A teacher locks her student in the closet to save him. How can we save our precious jewels before it’s too late? Have we distanced ourselves so much from the basics, like nurturing our soul, choosing instead to mindlessly seek success, power, and efficiency? In this process have we left behind the fragile, needy, frightened and hurt? I share the pain of these parents and before I pray I ask for the return to simple and commonplace values, which could be our salvation.

Sobre os novos velhos. Vejam o vídeo..

 http://www.youtube.com/watch?v=cO4pNyNcoCw&feature=youtu.be

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