caduceu-em-seloPsicologia e humor 50: A mediação de conflitos envolve empatia crítica. No curso que dou no Sedes Sapientiae sobre mediação e violência, parte do curso da Silvana Parisi “Dimensão Amorosa: Um enfoque Junguiano”, enfatizo a empatia, não como relativismo moral e nem o moralismo fácil, termos de Jonathan Jansen, reitor da Universidade de Free State, South Africa. Empatia é aproximar-se do outro sem pré- julgamentos e compreender que sob determinadas circunstâncias todos podemos ser injustos e sermos capazes de violência. Empatia é também reconhecer-se no outro. Nesse sentido somos todos vulneráveis. Rejeitamos o outro para nos defendermos mas a ameaça está em nós mesmos. Os passos são: integração, reparação e reconciliação. Só dessa forma podemos falar em relações amorosas. Celia Brandão.

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Masacre em Newtown.

15/12/2012

O Massacre em Newtown, cidade da costa leste dos EUA com 27 mil habitantes é um dos piores em escolas americanas, diz o Jornal Folha de SP em 15/12/2012.

Leio perplexa as notícias e não contenho as lágrimas. E me pergunto porque um rapaz de 20 anos invadiu a escola onde sua mãe era professora, atingiu fatalmente sua mãe e seus alunos e continuou atirando em quem encontrasse pelo caminho, tendo fi…nalmente suicidado. É mais um jovem que sem encontrar soluções delira ter a solução ou ser a solução para sua desesperança. Não importa mais saber a biografia do agressor. O fato se repete. Adianta controlar o porte de armas? Em parte. O mais desesperador é não entender.É nos depararmos com o inominável. Eu queria poder abraçar cada um daqueles pais enlutados. Rezar é muito pouco. Por a boca no mundo e dizer que algo deve estar errado creio que seria de melhor ajuda.Porque esse infanticídio? Falta de esperança no futuro. Estamos matando as futuras gerações. Que legado receberam os que hoje se sentem sem esperança? A professora tranca seu aluno no armário para salvá-lo. Como podemos preservar as nossas jóias antes que seja tarde? Será que nos dispersamos do essencial, de cuidar da nossa alma e corremos atrás do sucesso, do poder, da eficácia deixando para trás o que está fragilizado, carente, com mêdo, magoado? Compartilho a dor desses pais e antes de rezar apelo para que nos voltemos mais para aquilo que embora simples, aparentemente banal, possa ser nossa salvação .
The massacre in an elementary school in Newtown, Connecticut on the East Coast of the USA with a population of 27 thousand was one of the worst in American History according to the newspaper “Folha de Sao Paulo” on December 15, 2012.

I read the news, perplexed and cannot contain my tears. I ask myself why a 20 year old invaded a school where his mother was a teacher, shot and killed his mother and her students and continued shooting at whomever crossed his path, finally shooting himself. One more lost youth with no answers finding the answer in his delirium and desperation. The biography of the protagonist doesn’t matter anymore. The event repeat themselves (Newton, Columbine, Oslo, …). Does gun control make a difference? Partly. The worst is not understanding why and facing the unspeakable. I want to be able to hug each one of the mourning parents. Praying is not enough. I want to shout to the world saying that something is wrong, I believe is of more help. Why? Why this senseless killing of our youth. Lack of hope for the future? We are killing our future generations. What has happened to cause such hopelessness? A teacher locks her student in the closet to save him. How can we save our precious jewels before it’s too late? Have we distanced ourselves so much from the basics, like nurturing our soul, choosing instead to mindlessly seek success, power, and efficiency? In this process have we left behind the fragile, needy, frightened and hurt? I share the pain of these parents and before I pray I ask for the return to simple and commonplace values, which could be our salvation.

Palestra de Celia Brandão no Clube Providência em Santiago do ChileA palestra versou sobre o abuso de poder e o pacto de silêncio , cenário do abuso contra crianças e adolescentes. O tema foi ampliado para as várias formas de abuso de poder. A técnica de mediação de conflitos foi alvo de reflexão.

Consultório Celia Brandão

Consultório de análise e mediação- Celia Brandão.

Papel da mediação de conflitos : projeto de lei sobre Mediação (Projeto de Lei da Câmara nº 94, de 2002),  prevê:

Art. 2º Para fins desta Lei, mediação é a atividade técnica exercida por terceiro imparcial que, escolhido ou aceito pelas partes interessadas, as escuta, orienta e estimula, sem apresentar soluções, com o propósito de lhes permitir a prevenção ou solução de conflitos de modo consensual.

Art. 24. Considera-se conduta inadequada do mediador ou do co-mediador a sugestão ou recomendação acerca do mérito ou quanto aos termos da resolução do conflito, assessoramento, inclusive legal, ou aconselhamento, bem como qualquer forma explícita ou implícita de coerção para a obtenção de acordo .

É um método de facilitação de diálogo.

Mediar é transformar a cultura do conflito no exercício do diálogo. A solução está na abordagem não adversarial do conflito através do respeito às diferenças.

Um mediador pode ser confundido com um juiz, com alguém que tem o poder de arbitrar sobre alternativas para a solução de um conflito. Porém, cabe ao mediador não a arbitragem mas o papel de tornar diálogos difíceis em uma comunicação aberta e franca entre as partes em litígio. 

Ao nos depararmos com opiniões e interesses divergentes em relação aos nossos, nos sentimos ameaçados. O lado conservador da psique teme a dissociação. Para fugir à dissociação um recurso comum utilizado é a negação da legitimidade da opinião diversa ou até mesmo da identidade do outro.

Em um conflito de interesses é necessário ponderar necessidades e possibilidades.

Em um processo de separação conjugal , por exemplo, cabe ao mediador, promover o diálogo que avalie as condições , as possibilidades de cada um dos cônjuges no que se refere à pensão alimentícia, guarda de filhos, patrimônio. O debate deve ponderar sobre direitos e responsabilidades.

Na linguagem de Derrida, devemos discriminar que e quem deve “responder por”e “responder a”. Com a aprovação da lei da guarda compartilhada ambos os pais poderão assumir diretamente a responsabilidade sobre a educação e cuidar do cotidiano dos filhos. Guarda compartilhada não é alternância de residência mas sim cooperação legítima entre os pais na criação dos filhos pela qual responderão ambos perante a justiça. 

Hoje, para  uma situação de divórcio não há mais respaldo jurídico para o atributo a uma das partes de culpabilidade pela separação. Ambos os conjuges são responsáveis por sua decisão.  Cabe ao processo de mediação procurar  defender os interesses dos membros da familia resguardando a integridade dos mesmos longe das disputas de poder.

A mediação familiar em familias vítimas de violência, trabalho que realizei na Ong Pró-mulher, Familia e Cidadania, onde ocupei cargo de coordenação técnica, e na Ong Ceaf ( Centro de Estudos e Assistência à Familia), revelou-se como método eficaz para resgatar a auto-estima da vítima e desencadear processo de reintegração social do agressor.  

Em casos de abuso contra a criança, o mediador tem um papel central no estabelecimento de um ambiente seguro onde a vítima de abuso possa recuperar o direito à escuta e à memória dos fatos traumáticos. A ferida de abuso traz como  seus componentes o sentimento de ameaça, o sentimento de culpa e a repressão da memória da situação de abuso. Dar voz àquele que se calou sob o pacto do silêncio é tarefa do mediador.

Quando os lugares dentro da familia ou do grupo estão ameaçados e os poderes até então vigentes estão falidos temos um contexto favorável à violência.

Legitimar o conflito mas não cultuá-lo e promover o diálogo é combater a violência. Essa é a tarefa do mediador.

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Enflaquecimiento de la figura paterna
Hemos estado asistiendo a un enflaquecimiento de la figura masculina, desde los movimientos de liberación de las minorías. El hombre blanco heterosexual heredero del sistema patriarcal perdió fuerzas y con eso la figura del padre dentro de la familia.

Estamos ante la fragilidad de la autoridade del padre de “Anabella” que no consigue impedir que la tragedia ocurra.

Sin embargo, es importante señalar que siempre ha existido el abuso y la violencia hacia los niños.

De esa forma, para la efectiva comprensión del fenómeno de la violencia intrafamiliar, es importante considerar los fenómenos histórico sociales y la historia individual que posibilitan el análisis de los patrones de relación dentro de la familia.

El hombre que no se siente respetado en su identidad, del punto de vista simbólico como padre y compañero, reacciona con violencia. La violencia surge como último recurso para rescatar la identidad perdida.

En el caso “Anabella” ( nome fantasia ) , la rabia psicótica e impotencia de la pareja fue el motor de la violencia. ( Ler conto de Beatriz Bratcher adaptado e resumido para o espanhol e postado no Blog anteriormente)

medwt31018El abuso del poder y el pacto del silencio

La psicoanalista Elisabeth Roudinesco dice que “La bestia inmunda no es el animal sino el hombre.”

El hombre es el único animal  capaz de ser agresivo

  con la intención de causar daño y destruir al otro.

 La violencia denuncia la fragilidad o la amenaza de falencia del poder.

El tema de la violencia es de naturaleza multidicisciplinaria pero en esa clase el enfoque será psicosocial, dejando de lado aspectos biofisiológicos también importantes en el enfoque de la violencia.

Enfocaré aquí la violencia, en particular en el segmento de abuso hacia niños y adolescentes.

Comprendo violencia como el uso de la agresividad con el deseo de destruir, ejercer dominio o causar daño a la integridad física y/o emocional del otro(s) o de sí mismo. Esa acción puede ser consciente o emerger en parte inconsciente, pero tiene la intencionalidad como su carácter distintivo.

La violencia es un acto que se instituye en una cultura, y , por tanto, condensa y representa las actitudes de un grupo. Todo acto de violencia del punto de vista de la cultura tiene un carácter expiatorio porque consolida la maldad social.

Según Girard la violencia fundadora libera al grupo de su sentimiento de amenaza interno respecto las agresiones y recriminaciones que abalaban la cohesión grupal.

De este hecho un poder redentor puede ser atribuido a la víctima sacrificial.

La víctima opera una función trascendente entre el bien y el mal.

Sabemos que todo ritual de veneración tiene una dimensión arquetípica pero se inserta en una cultura.

En la Edad Media los místicos alimentaron la fantasía de sacrificar el cuerpo para ofrecérselo a Dios. Los libertinos y Sade , habían elegido el cuerpo como el único lugar del goce oponiéndose al cristianismo que había elegido el alma.

El nombre del Marqués de Sade se vuelve un substantivo en el siglo XIX para designar al enemigo del prójimo, de sí, de la nación.

Durante el Iluminismo se consideraba perverso aquel cuyo instinto se traducía en la bestialidad originaria en el hombre. Era el goce en el mal.

Esa concepción de naturaleza humana estribó los primeros estudios psicoanalíticos en el siglo XIX con la teoría del Instinto de Muerte de Freud. Freud reve en1920 en su artículo “Más allá del principio del placer” su primera formulación del Instinto de Muerte.

Hoy no se considera la perversidad o la maldad intencional como originaria, sino una acción humana en su inserción en la cultura de hacerle daño al otro.

Debemos diferenciar violencia de agresividad como potencialidad arquetípica.

Para Hannah Arendt la violencia “no promueve causas, ni la historia, ni la revolución, ni el progreso, ni el retroceso: pero puede servir para dramatizar quejas y traerlas a la atención pública.”

Según Hannah Arendt, “hay un consenso entre los teóricos de la política de que la violencia no es sino la más flagrante manifestación de poder.[…]

“La política es una lucha por el poder: el último género de poder es la violencia, dijo C. Wright Mills, o sea, “el dominio de los hombres sobre los hombres” en el lenguaje de Max Weber.” 

          Es cuando el poder legítimo pierde la fuerza, cuando el sentido ético se pierde, que se da la violencia, el abuso del poder y el pacto del silencio.

(extraido do Curso que ministrei no V Congresso Latino Americano de Psicologia Junguiana – Curso  Pre Congresso)

42-21572250 

Foi com muito pesar que li uma matéria publicada no Jornal Le Monde sobre o assassinato da menina Isabella, de 2008, atribuindo a violência doméstica no Brasil ao fato da tardia Abolição da Escravatura (1808) e aos modelos “adquiridos”de educação. Como se esse modelos de discriminição e desigualdade social tivessem sido gerados aqui no Brasil, quase como uma geração espontânea, como algo atávico, como nossa identidade. As crianças e as mulheres, assim como os negros e os países do terceiro mundo são há alguns séculos o que conhecemos como excluidos no que se refere à sua situação como  sujeitos de direitos e  Estado de direitos respectivamente.

O fato de se saber que no Brasil o genocídio assume índices preocupantes com autores dentro das familias e não só pela policia, nos faz responsáveis socialmente e como profissionais da área de psicologia para pensar essa questão.

Mas passa a ser uma arrogância da Velha Europa esse comentário no Le monde que nas semanas próximas ao crime de Isabella circulou pelo mundo noticia de uma outra familia de classe média austríaca em que o pai manteve em cativeiro a filha que também tomou como concubina e mãe de seus netos também cativos.

Enquanto continuarmos projetando nossa sombra no outro, enquanto temermos nossa humanidade, creio que será muito dificil lidar com a questão da violência que não escolhe raça, país, classe social, e que nos assola.

Pensamos de maneira equivocada sobre a violência como um epifenômeno do poder.

É quando o poder legítimo perdeu a sua força, quando o sentido ético se perdeu , que ocorre a violência, o abuso do poder e o pacto do silêncio. Quando os rituais não funcionam e os papéis dentro da familia se perderam. Quando já não há interdição para conter os conflitos dentro da familia.

A ameaça de perda da autoridade pelos pais, ou qualquer diminuição do poder legítimo dos pais são um convite à violência. O abuso do poder é prova documental da inexistência e da fragilidade da autoridade das figuras parentais e dos vínculos dentro da familia.

O pacto do silêncio é o recurso utilizado pelos agressores para manter a situação do abuso, favorecendo o espaço da violência.