Caiu-me nas mãos uma hora dessas um parágrafo do livro “De que amanhã “Diálogo de  Jacques Derrida e Elisabeth Roudinesco. Elisabeth Roudinesco é uma psicanalista lacaniana cujas idéias contracenam muito bem com a Psicologia Analítica. Derrida dispensa comentários a respeito de sua obra. Quando refletem sobre o lugar da psicanálise na contemporaneidade, Derrida enfatiza a questão da responsabilidade…” em lugar de um sujeito consciente de si mesmo, respondendo soberanamente por si mesmo perante a lei, pode-se contrapor a idéia de idéia de um sujeito dividido, diferenciado, que não seja reduzido a uma intencionalidade consciente e egológica.” Nessa perspectiva, o sujeito  instala trabalhosamente, em processo, sempre em processo, e imperfeitamente as condições estabilizadas de sua autonomia que se funda em uma heteronomia.

O modelo patriarcal de consciência tenta aplainar as diferenças.  Nesse modelo, acreditamos na autoridade soberana do eu, da consciência e da vontade mas tentamos negar o inconsciente como já nos havia alertado Jung. Derrida mantém seminário intitulado “Questões de responsabilidade”  onde debatem sobre as questões de : testemunho, sigilo, hospitalidade ao estrangeiro, perdão e pena de morte.

Tenta compreender o que querem dizer os têrmos: “responder perante”, ‘responder a”,” responder de “, “responder de si “examinados à luz  do que, segundo o autor, ainda se chama inconsciente.

O cidadão não experimenta ou experimenta de que forma o que  lhe dizemos ser comum?

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

Foto do Jornal folha de São Paulo de 1987 _ Entrevista Celia Brandão

A Psicologia Analítica pode nos ajudar a refletir sobre essas questões  com as noções de inconsciente, consciência coletiva, consciência individual e inconsciente coletivo.

Diz Roudinesco: “A liberdade de falar em seu nome, e portanto de interrogar a essência de sua própria alienação, é indissociável do exercício da associação livre que caracteriza o tratamento freudiano.

Acrescentaria que do ponto de vista da Psicologia Analítica, a consciência se constrói através de uma relação dialética com o inconsciente, sendo este último criativo. Uma nova ética deverá levar esses fatores em consideração.

Anúncios

 

 

Mariana blog

Foto de Mariana Brandão

Durante sua formação o analista realiza incursões profundas em seus afetos e se deixa afetar, influir pelo outro. Podemos entender esse outro como uma abstração, como parte da configuração psíquica de todo indivíduo, ou então, como o outro “de fato”, aquele que existe além de mim.

Cabe ao terapeuta a partir de suas experiências anímicas buscar a compreensão do outro. O que nos desafia é sempre a outra alma humana. As limitações estabelecidas pelo outro são sentidas em qualquer relacionamento ora como a gratificação e redenção ora como a tragédia da própria relação.

A forma de compreensão que temos de nossas vivências emocionais pode conduzir nossos desenvolvimentos para caminhos mais ou menos saudáveis.

É esse o papel do terapeuta e do analista: caminhar junto com seus pacientes como mediador da busca de uma melhor qualidade de comunicação com seu inconsciente e símbolos.

A esse caminho de auto-construção que se dá a partir da relação dialética entre consciência e inconsciente Jung chamou de processo de individuação.

Bem, mas trocando em miúdos, o que é análise mesmo ? Só passando por ela.

o caminhoO mundo é uma goiaba
Gorda, amarela e verde
Tudo cheira a goiaba.
O corpo infantil
Na ponta dos pés
Em busca da goiaba!
Mãos de dedos finos
magras e precisas
Tomam a goiaba
O mundo em suas mãos
Ah! Vovô!
Ai de mim sem você .

Porta dos fundos

26/07/2009

POrta dos fundosPorta dos fundos

Você entrou pela porta dos fundos.

E daí?

Tudo tem que ser pela porta da frente?

Deu uma corrente de vento

No corredor do meu peito

Tentei fechar as janelas

Me pus a arrumar os tapetes,

Pétalas de flores dos vasos

A esvoaçar pela sala,

E num instante essa ordem

desordenou inteira.

Que bom que tem porta dos fundos !

Pucón - Coñaripe (17)Separação : Morte e Criatividade

Hoje as crianças são iniciadas , desde a mais tenra idade , na fisionomia do amor e do nascimento:no entanto, quando não vêem mais o avô e perguntam por que, respondem-lhes,na França, que este viajou para muito longe, e , na Inglaterra , que descansa num lindo jardim onde crescem as madressilvas.Já não são as crianças que nascem de repolhos mas os mortos que desaparecem por entre as flores. Os parentes dos mortos são, então coagidos a fingir indiferença. A sociedade exige deles um autocontrole que corresponde à decência ou à dignidade que impõe aos moribundos. No caso destes, como no do sobrevivente, é importante nada dar a perceber de suas emoções.( Ariés , P História da morte no Ocidente)

‘Nossa opinião sobre a voz interior move-se em dois extremos: ou a vemos como um desvario total ou então como a voz de Deus. A ninguém ocorre que possa haver um meio termo valioso. O “outro’que responde deve ser tão unilateral, por seu lado quanto o eu. Do conflito entre ambos pode surgir verdade e sentido, mas isto só no caso de que o eu esteja disposto a conceder a personalidade que cabe ao outro. Este ultimo tem uma personalidade própria, sem dúvida, tanto quanto as vozes dos doentes mentais ; porém um colóquio verdadeiro só se torna possível quando o eu reconhece a existência do interlocutor.”(Jung G.C.,Arquétipos e Inconsciente coletivo par.237)

Vivemos várias separações durante a vida : da casa dos pais , dos vários objetos de amor, das nossas idealizações e a perspectiva da separação da própria vida pela morte.

A elaboração de uma ausência envolve um processo de rendição egóica. A possibilidade da superação da perda e da separação reivindica, por outro lado, um ego capaz de valores próprios e do reconhecimento do outro.

A proibição ou a negacão do luto diante de uma perda afetiva tem se intensificado frente à necessidade de desempenho social e de domínio em nosso cotidiano.

marriages et divorces

A impossibilidade de viver o luto, a falta de acolhimento social para o sofrimento nos lança em um movimento de negação e na necessidade de desfazer precocemente o sentimento de perda na consciência.

Algumas manifestações ou síndromes psíquicas aparecem como escape à vivência do luto e da separação.

“Como viver com a certeza da morte e da separação?

Para alguns autores o medo da morte está na raiz do medo da mudança.

De outro lado, reconhecemos que recusar a mudança é estar morto agora.

Se a necessidade de desfazer a separação na consciência antecede a elaboração do luto instala-se a melancolia. Viver melancòlicamente é permanecer atado à lembrança de uma antiga presença. A elaboração de uma ausência se faz na inauguração da possibilidade de uma nova presença , na consciência. Reinstala-se, então, o movimento criativo da psique.