Joca, meu cachorro amigo e não meu amigo cachorro.

Joca, meu cachorro amigo e não meu amigo cachorro.

Na noite do dia 13 de janeiro, o porteiro tocou a campanhia do meu apartamento para transmitir um recado do síndico de que meu cachorrinho estava latindo muito. Fiquei surpreendida porque se a convenção do Bretagne permite cachorros no condomínio se supõe que permita filhotes. E como se sabe filhotes latem mais do que o usual quando estão sozinhos para dormir. Assim ocorreu com meu cãozinho que está sendo devidamente por mim cuidado na sua adaptação à nova vida. Está no condomínio há cinco dias. Ruídos noturnos das festas nos apartamentos, das torcidas de futebol , dos moradores que gritam à janela à noite, de jovens em reunião noturna no jardim parecem não causar o mesmo incômodo. Alguém poderia me explicar porque quando um cachorro late depois das 22 hs o vizinho reclama mas quando tem jogo de futebol até altas horas , a gritaria rola solta , além das palavras de baixo calão nas janelas? Nos afastamos, moradores da cidade, da natureza. O que nos agride é o que nos faz sair da zona de conforto da ilha em que vivemos: nosso apartamento, nossa TV, nossos eletrônicos, enfim tudo aquilo que nos mantém protegidos do outro. Esse outro pode ser o latido noturno de um pequeno animal que fala uma língua da qual já nos esquecemos: a da natureza. Espero que a mesma tolerância que existe com os excessos humanos no condomínio tenhamos com os animais que ao contrário de estarem se excedendo buscam sua adaptação à megalópolis.

 Sincrônico ou sexto sentido segundos antes da campainha tocar o cachorrinho parou de latir e não latiu mais naquela noite.