Na Escola 5-10 João Ribeiro em 1959 no bairro do Méier no Rio de Janeiro as crianças brincavam à sombra da mangueira sem medo . Sua preocupação era o conceito : verde, azul, amarelo ou vermelho no caderno de redação.

Não haviam ainda ouvido falar em Bullying e sua preocupação era se na hora do lanche haveria mingau de sagu ou outra guloseima.

A Escola ainda era um microcosmos , lugar dos sonhos , das oportunidades e da esperança do novo.

Na Escola Marechal Trompovsky no Leme , Rio de Janeiro, conviviam as diferenças. Dividíamos o lanche. Crianças de familias letradas conviviam com os filhos dos colarinhos brancos e com os meninos que moravam nas favelas. Éramos todos crianças. Compartilhávamos nossos sonhos, o lanche e o bonde na volta da escola.

A escola é uma extensão do ambiente familiar, onde a criança procura aconchego e segurança.

Familia e escola devem agir em cooperação.

Quando esse espaço de segurança é violado também é violada a auto-confiança e auto-estima da criança.

A tragédia de Realengo nos convida a refletir sobre o espaço da escola hoje e seus paradoxos.

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 Foto: Banda Seis Sextos

 

A perda dos homens na contemporaneidade da legitimidade como provedores e chefes de familia, e por outro, dos privilégios associados à condição de progenitores , dados os avanços de reprodução assistida, e  finalmente, como referencias simbólicos,  essenciais na criação das crianças, tem contribuido para a baixa auto-estima  e para o conflito de identidade na população masculina.

Como consequência, a dificuldade de exporem em público e entregarem também na intimidade sua afetividade sem se sentirem fragilizados.

Sendo o papel do sustento da famlia compartilhado com a mulher e o papel dos cuidados domésticos ainda não valorizado,  esses homens vêem seu papel na casa como residual e periférico, sentindo-se desvalorizados.

A competência da mulher e os cuidados da mulher são subtraidos à sua competência.

O afastamento do homem das tarefas domésticas restringe seu universo e sua referência de auto-estima ao mundo profissional. Em uma situação de desemprego, ou crise profissional, o sentimento de impotência perante a  mulher,  se agudiza quando,  principalmente, a companheira exerce atividade profissional .

O homem contemporâneo está se relacionando com um imago de uma mulher extremamente poderosa.

 Essa percepção desencadeia disputas entre os casais em que se confude : apego com controle, cuidado com domínio, carinho e demonstração de afeto com fragilidade.

O grande desafio é o resgate da afetividade dos homens que não se intimide frente à  competência  e autonomia das mulheres.

Narcisismo

22/08/2009

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Cruzando as fronteiras de narciso,

Vi nascer a construção do belo.

Narciso jaz na busca de si mesmo,

Do belo que se constitui do gesto.

Fronteira tênue entre narciso e eco,

Próximos mas não identificados.

Flor de narciso bela e sempre igual,

A ecoar nua no pantanal.

Ao esculpir o belo ressuscitas,

A comunicação que ecoava no vazio.

Retornas àquele que  perdera,

 Na estética da alma, a auto-estima.