medwt31018El abuso del poder y el pacto del silencio

La psicoanalista Elisabeth Roudinesco dice que “La bestia inmunda no es el animal sino el hombre.”

El hombre es el único animal  capaz de ser agresivo

  con la intención de causar daño y destruir al otro.

 La violencia denuncia la fragilidad o la amenaza de falencia del poder.

El tema de la violencia es de naturaleza multidicisciplinaria pero en esa clase el enfoque será psicosocial, dejando de lado aspectos biofisiológicos también importantes en el enfoque de la violencia.

Enfocaré aquí la violencia, en particular en el segmento de abuso hacia niños y adolescentes.

Comprendo violencia como el uso de la agresividad con el deseo de destruir, ejercer dominio o causar daño a la integridad física y/o emocional del otro(s) o de sí mismo. Esa acción puede ser consciente o emerger en parte inconsciente, pero tiene la intencionalidad como su carácter distintivo.

La violencia es un acto que se instituye en una cultura, y , por tanto, condensa y representa las actitudes de un grupo. Todo acto de violencia del punto de vista de la cultura tiene un carácter expiatorio porque consolida la maldad social.

Según Girard la violencia fundadora libera al grupo de su sentimiento de amenaza interno respecto las agresiones y recriminaciones que abalaban la cohesión grupal.

De este hecho un poder redentor puede ser atribuido a la víctima sacrificial.

La víctima opera una función trascendente entre el bien y el mal.

Sabemos que todo ritual de veneración tiene una dimensión arquetípica pero se inserta en una cultura.

En la Edad Media los místicos alimentaron la fantasía de sacrificar el cuerpo para ofrecérselo a Dios. Los libertinos y Sade , habían elegido el cuerpo como el único lugar del goce oponiéndose al cristianismo que había elegido el alma.

El nombre del Marqués de Sade se vuelve un substantivo en el siglo XIX para designar al enemigo del prójimo, de sí, de la nación.

Durante el Iluminismo se consideraba perverso aquel cuyo instinto se traducía en la bestialidad originaria en el hombre. Era el goce en el mal.

Esa concepción de naturaleza humana estribó los primeros estudios psicoanalíticos en el siglo XIX con la teoría del Instinto de Muerte de Freud. Freud reve en1920 en su artículo “Más allá del principio del placer” su primera formulación del Instinto de Muerte.

Hoy no se considera la perversidad o la maldad intencional como originaria, sino una acción humana en su inserción en la cultura de hacerle daño al otro.

Debemos diferenciar violencia de agresividad como potencialidad arquetípica.

Para Hannah Arendt la violencia “no promueve causas, ni la historia, ni la revolución, ni el progreso, ni el retroceso: pero puede servir para dramatizar quejas y traerlas a la atención pública.”

Según Hannah Arendt, “hay un consenso entre los teóricos de la política de que la violencia no es sino la más flagrante manifestación de poder.[…]

“La política es una lucha por el poder: el último género de poder es la violencia, dijo C. Wright Mills, o sea, “el dominio de los hombres sobre los hombres” en el lenguaje de Max Weber.” 

          Es cuando el poder legítimo pierde la fuerza, cuando el sentido ético se pierde, que se da la violencia, el abuso del poder y el pacto del silencio.

(extraido do Curso que ministrei no V Congresso Latino Americano de Psicologia Junguiana – Curso  Pre Congresso)

O tema do incesto tem sido um dos mais assiduamente visitadossnow4 no blog.

Entre o mito e a cultura, a questão do incesto tem  sido discutida em várias áreas das ciências humanas, pelas artes cênicas e literatura, pela área jurídica e pela religião.

A palavra incesto quer dizer estar contido in (dentro )  (cesto) .

Viver a intimidade e emoções em situação protegida. Pode ser análogo a estar em uma situação  de endogamia, em sua origem antropológica.

Para Jung as fantasias incestuosas de uma criança tem a função de humanização  de suas emoções nas relacões com seus familiares.

Se por ventura se acompanham de conteúdos sexuais não devem ser literalizados.

Podem estar apenas assinalando uma busca de maior intimidade e fusão para que depois possa haver um outro nível de discriminação.

Se existe um tabu do incesto ele emerge com o próprio impulso incestuoso, de uma dimensão ética do indivíduo e um sentido de preservação das relações grupais e não da repressão advinda de uma moral externa.

A busca de um adolescente ou de uma criança na relação com um adulto pode ter diferentes motivações, como por exemplo, entre uma aluna e um professor, a de admiração e curiosidade intelectual.

Se a curiosidade  e o desejo sexual se acrescentam a essa admiração  grande parte das vezes é mais por parte do adulto e cabe a este o papel de estabelecer os limites.

A sexualização imediata pode ser mais do adulto,  resultante de uma projeção de suas fantasias na criança ou adolescente.

A possibilidade de trabalhar com os conteúdos de idealização e admiração sem cair nas armadilhas da sedução poderá resultar em desenvolvimento mútuo.

Um sentido de auto- preservação coloca o homem em conflito diante de situações que abalam o equilibrio e a coesão do  seu grupo.

Nossa tendência é negar e afastar da consciência o que nos causa conflito. O mecanismo de negação  e a alienação não resolve nossos problemas.

A questão do incesto é complexa e faz parte da natureza humana.

É muito importante considerar as diferenças presentes nas relações incestuosas mais ou menos abusivas, mais ou menos assimétricas, e para isso é necessário ver caso a caso.

Incesto não é sinonimo de abuso.

Mas, em geral as relações incestuosas , que se dão dentro da familia , são abusivas.

Violência e poder

27/07/2009

criança vitimizada 

A palavra sacri-fício significa fazer sagrado. O sacrifício é um ritual social  de fazer  e tornar sagrado. Um membro do grupo é responsabilizado pelas transgressões e esse mesmo elemento será o mediador da salvação através do seu sacrificio.

A violência do sacrifício não apenas produz o sagrado mas também sacraliza a violência. Excluida da sociedade devido ao temor às suas influências negativas, a violência fundadora é ao mesmo tempo venerada por seu aspecto criativo.  O papel da vitima é de operar a função transcendente entre o bem e o mal.  Emerge da indiferenciação grupal e produz  através de seu sacrificio a diferenciação das atitudes do grupo. Ao mesmo tempo que condensa a maldade social como bode expiatório, a vítima transita numa esfera ambígua entre o bem e o mal. Ela nasce da indiferenciação e produz a diferenciação  porque funda a cultura. Ao mesmo tempo que , como bode expiatório a vitima consolida a maldade social, de outro lado, libera o grupo de seu sentimento de ameaça interno em relação às agressões e recriminações constantes que abalavam a coesão grupal. Desse fato um poder redentor atribuido à vitima.

A dinâmica do bode espiatório é conhecida de todos nós. É o que Girard chama de vítima sacrificial. Pensamos de maneira equivocada sobre a violência como um epifenômeno do poder. É quando o poder legítimo perdeu a sua força, quando o sentido ético se perdeu , que ocorre a violência, o abuso do poder e o pacto do silêncio.