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 Foto: Banda Seis Sextos

 

A perda dos homens na contemporaneidade da legitimidade como provedores e chefes de familia, e por outro, dos privilégios associados à condição de progenitores , dados os avanços de reprodução assistida, e  finalmente, como referencias simbólicos,  essenciais na criação das crianças, tem contribuido para a baixa auto-estima  e para o conflito de identidade na população masculina.

Como consequência, a dificuldade de exporem em público e entregarem também na intimidade sua afetividade sem se sentirem fragilizados.

Sendo o papel do sustento da famlia compartilhado com a mulher e o papel dos cuidados domésticos ainda não valorizado,  esses homens vêem seu papel na casa como residual e periférico, sentindo-se desvalorizados.

A competência da mulher e os cuidados da mulher são subtraidos à sua competência.

O afastamento do homem das tarefas domésticas restringe seu universo e sua referência de auto-estima ao mundo profissional. Em uma situação de desemprego, ou crise profissional, o sentimento de impotência perante a  mulher,  se agudiza quando,  principalmente, a companheira exerce atividade profissional .

O homem contemporâneo está se relacionando com um imago de uma mulher extremamente poderosa.

 Essa percepção desencadeia disputas entre os casais em que se confude : apego com controle, cuidado com domínio, carinho e demonstração de afeto com fragilidade.

O grande desafio é o resgate da afetividade dos homens que não se intimide frente à  competência  e autonomia das mulheres.

casal no carroPasmem. Em um canto da festa um grupo de homens na faixa de de 24, 26 anos heterossexuais, conversava : Falta homem na praça. Do outro lado da festa uma meia dúzia de moças desacompanhadas. E vai cerveja e cigarro.

Balada irada, malvada, isolada. E diz um outro: Cara, aqui está muito bom, mas vou ter que ir à guerra. Vou encontrar uns amigos numa balada lá na Hadock Lobo. Mais uma cerveja para dar coragem. Gatinha aquela ali.

No outro canto da sala.

Aniversário de trinta anos. Vocês lembram quando nós bebíamos até dormir todas juntas aqui no sofá ah ah ahah…é a turma do colegial foi melhor que a da faculdade. É, a turma das ciências sociais era mais unida do que as outras na faculdade…

Seis horas de festa.

As meninas se despedem. Vamos mais tarde até um barzinho na Vila.

Um grupo continua tocando e cantando canções da MPB com tal sensibilidade que me faz pensar que o problema não é que falta homem na praça. Falta coragem de deixar esse sentimento se expressar.casal no carro

O Último Tango em Paris

O Último Tango em Paris

Um filme marcou os anos 70 – O Último Tango em Paris de Bernardo Bertorlucci com Marlon Brando e Maria Sheneider. Quando não há separação, entre o eu e o outro não há projeto de relacionamento possivel. O que é um problema para um, a angústia de um não é problema para o outro. As relaçoes simbióticas apresentam vínculos especulares estabelecendo padrões narcisistas de comportamento. A dinâmica simbiótica está na dificuldade do casal de simbolizar frente a situações de ameaça ou frustração. O anonimato concretiza a possibilidade massiva de projeções. No filme,”O Último Tango em Paris” o casal permanece no anonimato e quando êle resolve revelar sua identidade, ela foge afirmando que não o conhece. Quando ele resolve insistir ela mata a única testemunha de seu desejo e de suas fantasias. Como amamos em 2009 ?