Assassinatos em escola do Rio de Janeiro

10/04/2011

Autor da chacina de 7/4/2011 no Rio de janeiro doa casa para instituição que protege animais.

Isso atesta a dissociação da personalidade de Wellington. Não entra em contato com a monstruosidade do seu ato e acha que ganha o reino dos céus fantasiando sua bondade para com os animais.

Toda posição essencialista esconde uma dissociação da psique.  Para Wellington a realidade está dividida entre puros e impuros, virgens e não virgens. Uma parte da realidade  é excluida da consciência. Bem e mal estão dissociados a critério arbitrário do sujeito.

Só um delírio megalomaníaco pode sustentar a tese onipotente de que a própria morte  resultará na redenção dos conflitos humanos. Vê -se nos alunos da escola e atira friamente em uma parte sua que deve morrer. Com essas mortes talvez tentasse matar algumas de suas memórias e partes de sua identidade da mesma forma  que destruiu a memória do computador e as máquinas da casa. Não faz diferença entre as máquinas e homens. Vive isolado e comporta-se como uma máquina sem sentimentos. Muitas perguntas ficam sem resposta. Como por exemplo, por que matou mais meninas do que meninos? Espelhavam sua impotência para se relacionar com elas ?

Seu estado confusional é exuberante. Faz um elogio à sua virgindade e mata virgens adolescentes entre 12 e 15 anos de idade. Interrompe seu ciclo de desenvolvimento e permanece virgem, “fiel” à ligação com sua mãe.

Acolhe sua miséria de menino abandonado por sua mãe biológica identificando-se com a impotência dos animais sem lar e indefesos. Em seu delírio, morrendo vai para perto de sua mãe adotiva,   agora purificado dos males relativos a sua humanidade, como um menino e não como um homem adulto.

Tentamos entender o inominável, o indizível. E por mais que tentemos fazer uma análise do ocorrido permanece a indignação e a dor frente a violência sofrida por essas crianças e suas familias.

Tudo isso é muito triste : pensar que esses fatos não param de acontecer sem restrição de lugares e circunstâncias. O que nos alerta para a gravidade da saúde mental e das relações no século XXI.

O acompanhamento psicológico é necessário durante o período de formação escolar do ensino fundamental ao ensino superior.   Fatos como esse nos alertam para a necessidade de uma ação mais efetiva na prevenção e tratamento dos distúrbios psicológicos e psiquiátricos e de uma assistência maior às familias nas escolas e universidades. Outra questão que merece maior atenção é a da segurança nas escolas. Foco minha análise para a necessidade da prevenção. Há muitos anos trabalho com a questão da violência doméstica e no abuso na familia em processos de mediação. Faz parte do tratamento psicológico das sequelas do abuso recuperar a memória do fato traumático. O abusado por medo e atingido pela própria síndrome pós- traumática tende a se encolher com seu segredo. Esse fato não pode ser esquecido. Entendo a ênfase dada pela mídia ao ocorrido como uma indignação da consciência coletiva. Penso que entender o ocorrido dentro de um contexto mais amplo, ou seja, entender o agressor também como vítima de um sistema não implica na anulação da gravidade do ato e acredito que só uma mobilização coletiva poderá promover mudanças no atendimento preventivo da saúde mental de nossas crianças em idade escolar e de suas familias. Ao mediarmos questões de violência nos vemos sempre em confronto com o paradoxo: entendimento x perdão que é a díade subjacente à tolerância.

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