Poema de Nícolas Brandão

08/07/2010

Nícolas Brandão

“será mesmo incrível o tal do polvo?
ou a fama é que faz um cefalópode?
quando prevejo, será que vejo? …
quando vejo será que falo? Será que pode?
e se disser, serei também um ser-falópode?

crê-se que o polvo vê, daí vidente.
vidente porque vê à frente.
se o polvo vê, porque é que mente?

será o destino a vitória do um sobre o outro?
Não será pouco?

me diz, então, meu caro Paul,
quando essa Copa já tiver sido,
e a disputa houver regressado
do campo para o espírito humano,
quem prevalecerá nessa batalha?

afinal, somos como você,
embora muito mais tristes.
exautamos os grandes campeões,
emprestamos deles as vitórias,

mas seguimos arrastando o cérebro entre os corais.”

O poema de Nícolas traz a dimensão simbólica do evento que circulou na mídia sobre o polvo vidente alemão. O autor diz de maneira sábia que “seguimos arrastando o cérebro entre os corais”, ou seja, retornamos várias e muitas vezez para nosso potencial arquetípico e para as imagens do inconsciente. Nada melhor do que um polvo de muitas pernas para representar esse evento mundial que ocorre em diferentes arenas, “caixas”, campos de futebol onde cada time será tragado da sua vez. Mas é interessante a imagem: O time vencedor será aquele em cuja caixa estará a comida do polvo. Que animal voraz é esse evento Copa do Mundo ! E sàbiamente pergunta Nícolas para onde irá o desejo de disputa humano…
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