Violência e poder

27/07/2009

criança vitimizada 

A palavra sacri-fício significa fazer sagrado. O sacrifício é um ritual social  de fazer  e tornar sagrado. Um membro do grupo é responsabilizado pelas transgressões e esse mesmo elemento será o mediador da salvação através do seu sacrificio.

A violência do sacrifício não apenas produz o sagrado mas também sacraliza a violência. Excluida da sociedade devido ao temor às suas influências negativas, a violência fundadora é ao mesmo tempo venerada por seu aspecto criativo.  O papel da vitima é de operar a função transcendente entre o bem e o mal.  Emerge da indiferenciação grupal e produz  através de seu sacrificio a diferenciação das atitudes do grupo. Ao mesmo tempo que condensa a maldade social como bode expiatório, a vítima transita numa esfera ambígua entre o bem e o mal. Ela nasce da indiferenciação e produz a diferenciação  porque funda a cultura. Ao mesmo tempo que , como bode expiatório a vitima consolida a maldade social, de outro lado, libera o grupo de seu sentimento de ameaça interno em relação às agressões e recriminações constantes que abalavam a coesão grupal. Desse fato um poder redentor atribuido à vitima.

A dinâmica do bode espiatório é conhecida de todos nós. É o que Girard chama de vítima sacrificial. Pensamos de maneira equivocada sobre a violência como um epifenômeno do poder. É quando o poder legítimo perdeu a sua força, quando o sentido ético se perdeu , que ocorre a violência, o abuso do poder e o pacto do silêncio.

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